2014 TALVEZ tenha sido o ano mais quente registrado

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Após a publicação online do relatório anual do Centro Nacional de Dados Climáticos do governo americano (NOAA/NCDC), uma das principais fontes de registro de temperaturas para o estudo do Aquecimento Global, a imprensa e parte da blogosfera ambiental alagaram a opinião pública com manchetes alarmistas sobre 2014 ter sido o mais quente registrado até hoje, e muitos articulistas previram catástrofes e o fim da serenidade em relação ao clima do planeta.

Forbes, Bloomberg e BBC, por exemplo, foram alguns dos veículos a seguir esse furacão midiático. Não se pode culpar somente a ganância dos acionistas e a ignorância dos responsáveis pela seção de ciência por esse comportamento intempestivo. Eles entraram na onda dos cientistas pouco cuidadosos, ou nos piores casos “cientivistas” (ativistas disfarçados de cientistas), que choveram no molhado mais uma vez oferecendo uma tempestade em copo d’água, sob forma de um dos “Pontos de Destaque” na introdução do dito relatório:

“O ano 2014 foi o mais quente nas superfícies terrestres e oceânicas de todo o planeta desde que o registro começou em 1880. A temperatura média anual ficou 0.69 °C acima da média de 13.9°C do século XX, facilmente quebrando os recordes anteriores de 2005 e 2010 por 0.04°C.”

[Original: The year 2014 was the warmest year across global land and ocean surfaces since records began in 1880. The annually-averaged temperature was 0.69°C (1.24°F) above the 20th century average of 13.9°C (57.0°F), easily breaking the previous records of 2005 and 2010 by 0.04°C (0.07°F)]

A própria chamada no site para o relatório diz algo como “é oficial: 2014 foi o ano mais quente registrado”, como se não pudessem conter a represa de ansiedade para a chegada do ano em que isso acontecesse.

Mas quando se observa a tabela mais abaixo com o ranking do ano, verificamos a incerteza associada às temperaturas registradas:

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A incerteza de 0.09°C é maior que os 0.04°C que colocam 2014 como o mais quente já registrado. Bem menos espetacular do que a manchete.

E para piorar o clima, chegamos à página suplementar do cálculo das probabilidades do ranking para 2014, onde podemos ler que “calcular a temperatura do planeta inteiro tem um grau inerente de incerteza”, e vemos explicitada a incerteza de ±0.09°C.

E qual, é na opinião do próprio relatório do NCDC, a probabilidade de 2014 ter sido o ano mais quente já registrado?

“Ano mais quente já registrado: 48%”

O que significam esses 48%, ainda segundo o relatório?

“33.3% – 50% mais improvável que provável”

Raios me partam, passamos de uma manchete que chama 2014 de oficialmente o mais quente já registrado, para um cálculo de probabilidade que indica isso ser mais improvável que provável, causando um terremoto nos fundamentos para o alarme.

Na verdade, ser ou não o ano mais quente já registrado não prova nem refuta nenhum dos lados daquele debate hiper-aquecido sobre se precisamos mover montanhas para salvar o planeta, mas precisamos esfriar a cabeça e analisar racionalmente os dados para que o debate e a busca científica não fiquem congelados sob um oceano de desinformação.

2014 TALVEZ tenha sido o ano mais quente registrado

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