O capitalismo corporativista chinês é insustentável como os outros.

Assim como a social democracia escandinava é usada como exemplo de civilização e felicidade, o crescimento chinês é usado como exemplo de capitalismo dinâmico e todo poderoso. O problema é que ambos exemplos são mitos.

O grande salto para a frente do precipício

O grande salto para a frente de Mao Dzedong nos anos 50 foi o ápice do experimento econômico socialista no planeta Terra, tentou-se superar a eficiência das fábricas tecnológicas do mercado mais livre ocidental através da coerção de centenas de milhões de camponeses e suas panelas velhas, resultando na morte por fome e frio de dezenas de milhões desses camponeses. A elite política chinesa é sanguinária, mas não é totalmente desprovida de sensatez: seria melhor mudar de estratégia se quisessem aumentar a produtividade do seu gado humano.

O que se viu nas décadas seguintes foi uma lenta e progressiva liberalização econômica, chegando ao modelo atual onde pequenos negócios privados são permitidos, desde que pesadamente taxados e regulados. Mas os grandes negócios, nos setores considerados estratégicos, o estado ainda é o dono onipotente. O setor bancário é um desses setores, obviamente, o o estado detém o monopólio da moeda de curso forçado, e tem a seu dispôr um cartel de bancos e instituições financeiras, agindo em uníssono no controle da transferência de valor da poupança do mais fraco para o mais bem politicamente conectado.

Ou seja, o setor bancário chinês funciona igualzinho nossa contraparte ocidental, em sistema de reserva fracionária com alavancagens arbitrárias, fixação de juros e moeda sem lastro. Um paraíso para a elite política e seus parceiros. Um paraíso turbulento, é verdade. Aquecimentos e recessões são comuns, os preços dos ítens mais básicos do supermercado não param de crescer, bancos se tornam rapidamente insolventes para logo em seguida serem salvos por novos bancos criados para segurar as dívidas podres, e algumas vezes o Banco da China precisa simplesmente inflar a moeda para garantir a parte mais podre.

Atualmente o Banco da China trabalha com uma alavancagem de 1233 para 1! Isso quer dizer que se para cada 1 renmembi depositado, existem 1233 renmembis descobertos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Desnudando todos os discursos técnicos, basicamente o que se passou foi: a liberalização econômica relativa da China possibilitou um rápido aumento de produtividade de bilhões de agentes econômicos. Os EUA puderam terceirizar parte da sua produção para a China, mas o sistema de reserva fracionária americano incentivou a sua dívida para com o governo chinês, que pôde rolar a cobrança dessa enorme dívida inflando por sua vez a sua moeda.

Resultado: valor foi transferido do dinheiro da população americana para o estado americano e seu cartel de bancos, e valor foi transferido do dinheiro da população chinesa para o estado chinês e seu cartel de bancos, a diferença sendo que a população americana ficou com os bens chineses e um monte de dívidas pessoais, e a população chinesa somente ganhou a parte que o governo não pôde roubar do seu salário.

Isso tudo ainda mostra que é estupidez pensar que a China ou os outros do BRICS possam salvar a Europa. Todos trabalham no mesmo sistema, todos os estados estão endividados, e todos os estados inflam suas moedas.

Fonte: http://mises.org/daily/5698/The-China-Model-Is-Unsustainable

O capitalismo corporativista chinês é insustentável como os outros.

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