Porque o marxismo é lixo intelectual

Vou tentar esclarecer porque chamei o marxismo de lixo intelectual. Apesar de enxergar a grande inteligência de autores ao redor das premissas marxistas, que não foram todas criadas por Marx, mas sim resumidas e desenvolvidas de forma integrada por ele, o fato das premissas de Marx expostas no Capital serem ilógicas e facilmente refutadas pela observação leva à ilogicidade das conclusões e desenvolvimentos posteriores realizados pelos autores.

Uma premissa ilógica ou simplesmente falsa leva necessariamente à conclusões ilógicas ou falsas, assim é pela existência incontestável das lei da lógica. Portanto o esforço dos autores é em vão no sentido do desenvolvimento do conhecimento, na verdade atrapalha a evolução do conhecimento. É um lixo que fica no caminho, precisamos jogá-lo fora, não por intolerância, mas por desejo de buscar a verdade. Essa busca é eterna, dinâmica, é preciso diferenciar verdade (externa e independente do homem) e ideia (interna e dependente do homem), e justamente por isso ideias provadas erradas (além de prejudiciais e causadoras de conflitos) devem ser enterradas.

A sociedade é um conjunto de seres individuais que se relacionam. O indivíduo é moldado em parte pelas relações, porém nunca será um ser totalmente coletivo, a sua ação, a sua vontade, sempre parte de um conjunto de fatores onde o livre arbítrio é inerente. Mesmo alguém que escolhe obedecer outrém está, primeiro, tomando uma decisão pessoal e intransferível. Não existe ainda o controle remoto de humanos, apesar de muitas coisas parecerem isso (as aparências enganam).

A inerência do livre arbítrio é o fato que torna injustas todas as tentativas de coibí-lo. Nascemos com ele, não temos como existir sem ele, e justo é deixá-lo livre.

Mises, na tradição dos pensadores liberais clássicos, enxergava na liberdade a premissa para a justiça. Se alguém não tem a liberdade de tomar determinada decisão, não pode ser culpada pelas consequências disso. Ora, sem responsabilidade não há justiça. Logo, sem liberdade não há justiça.

A questão da igualdade no ponto de vista positivista (ao qual Marx se adere) é uma falácia. Todo homem nasce livre, mas não nasce igual aos outros homens. A liberdade dá a possibilidade de haver responsabilidade e justiça. Como não se pode prever nem controlar o livre arbítrio, a responsabilidade e a justiça, a priori, são iguais para todos os homens, e aí reside a verdadeira igualdade, a igualdade perante a justiça.

O positivismo moderno transformou a igualdade de bens materiais em um “direito” (uso aspas para deixar claro que não concordo com a definição), derivando essa noção da premissa marxista da teoria do valor do trabalho onde todo bem econômico é totalmente fruto do trabalho humano (o que obviamente não é verdade), premissa errônea que levou à conclusão necessariamente errônea da teoria da exploração, onde toda transação lucrativa, monetária ou não, é um roubo (o que também obviamente não é verdade). A mais valia marxista simplesmente não existe, existe a diferença entre os custos totais da produção (salário sendo um dos custos) e o preço final da venda da produção.

Aqui preciso falar sobre coisas pouco aceitas intelectualmente pela maioria das pessoas, apesar de paradoxalmente elas utilizarem esses princípios em todos os momentos da vida. A lei da escassez afirma que os bens físicos são finitos. Todo recurso material que o homem utiliza na consecussão de seus objetivos é finito. Isso não pode ser contornado, por isso é uma lei. Observando e sabendo disso, o homem faz escolhas na apreensão e utilização desses recursos. No estado natural das coisas, os recursos não são possuídos por ninguém. A posse decorre de uma domesticação desses recursos previamente em estado natural (Rothbard chamou de “homestead”).

Nesse ponto os coletivistas discordam e dizem que a posse não pode ocorrer justamente pois se tudo é finito o justo é que não exista a posse individual. Ora, se eu estou levando um pedaço de pão à boca, se não fosse justo que esse pão fosse meu para dar o fim que eu quisesse, seria justo alguém pegar o pão da minha boca a qualquer momento. Tudo ficaria para sempre num estado natural, ninguém poderia fazer um uso de nada sem que houvesse uma concordância sincrônica de todas as pessoas existentes. Um absurdo, obviamente. A posse é um estado conceitual (e se garantido pela violência é um fator coercitivo) temporário altamente necessário à sobrevivência das espécies. As pessoas sabem disso quando são assaltadas, quando pedem para pagar mais do que acham justo.

A impossibilidade de se prever e controlar o livre arbítrio, junto à lei da escassez, leva ao direito da propriedade privada. Assim que um recurso é domesticado, ele passa a ter a exclusividade de uso e decisão daquele que o domesticou. Ninguém havia feito antes, e pode ser que ninguém nunca o fizesse. Existem pessoas predispostas a cavar em busca de ouro, e existem pessoas predispostas a pescar peixes. Cada um buscando seus objetivos. A igualdade está no direito de buscar seus objetivos, daí a liberdade sendo premissa para a justiça.

Ao contrário, impedir alguém de usufruir de sua liberdade e de suas posses (vida, corpo, bens, recursos), é injusto.

O dinheiro é uma outra questão simples que as pessoas confundem muito, apesar de saberem perfeitamente como usá-lo no dia a dia. A moeda é simplesmente um meio de troca. O papel moeda, mais ainda, é isso e somente isso, pois não tem uso além de ser um meio de troca, diferentemente do ouro, da prata, do cigarro, dos grãos, que já foram ou ainda são meios de troca.

Riqueza de verdade são os bens e o conhecimento.

As decisões econômicas diárias de bilhões de pessoas são sempre na busca de seus objetivos, sejam eles filantrópicos ou egoístas. Como não se pode prever nem controlar o livre arbítrio humano, o justo é que as pessoas sejam livres para utilizar da maneira como quiserem esses recursos, cujos valores subjetivos são expressos nos preços.

Somente com a liberdade de tomar decisões, as pessoas podem dizer se é justo ou não pagar pela farsa do Stradivarius. Se pagaram para ver um Stradivarius, mas apareceu uma guitarra Tonante, o contrato firmado foi quebrado. Se não viram a diferença, bom, o mundo não é justo ou injusto, as ações humanas são justas ou injustas, essa foi uma quebra de contrato. Se alguém percebe e pede reparação, o justo é a reparação. Se ninguém pede reparação, não há conflito.

A moeda e os preços não expressam um valor universal, expressam valores subjetivos, que as pessoas estão dispostas ou não a dar prioridade a essa coisa e não à todas as outras que esse dinheiro poderia pagar. Eu faço uma coisa, ofereço em troca de outra, todos ganham.

Porque o marxismo é lixo intelectual

2 comentários sobre “Porque o marxismo é lixo intelectual

  1. José disse:

    “Uma premissa ilógica ou simplesmente falsa leva necessariamente à conclusões ilógicas ou falsas, assim é pela existência incontestável das lei da lógica.”: Todos os mamíferos vivem na água. Todos os peixes são mamíferos. Logo todos os peixes vivem na água. Silogismo de ambas premissas falsas, mas conclusão verídica. Seu texto já começa com uma inconsistência. “Todo homem nasce livre, mas não nasce igual aos outros homens.” TODO HOMEM NASCE LIVRE? Segundo, não use liberdade de uma maneira gratuita (como faz Mises). Existem diversas definições disso. E para mim, francamente, falar de liberdade sem igualdade é a mesma coisa que dizer que um bi amputado, sem próteses nem cadeira de roda nem nada, pode correr uma maratona só porque não há uma lei que o proiba.

    1. Bom dia

      “Seu texto já começa com uma inconsistência.” Obrigado José, e como o senhor mesmo demonstrou, começar com uma inconsistência não quer dizer que a conclusão seja falsa.

      “TODO HOMEM NASCE LIVRE?” Eu poderia ter sido mais explícito, essa é uma proposição deontológica: todos os homens devem considerar todos os homens livres, desde seu nascimento.

      “E para mim, francamente, falar de liberdade sem igualdade é a mesma coisa que dizer que um bi amputado” A única igualdade possível, sem necessitar um aparelho coercor totalitário, é a igualdade perante a lei, mas não somente perante a lei, igualdade de autoridade COM os juízes, de uma maneira que somente a ausência de monopólio da justiça pode trazer (seja comercial, comunal, tribal ou o que for).

      A analogia com o amputado me parece fora de propósito. A liberdade não serve para que todas as pessoas tenham o direito de fazer todas as coisas que todas as pessoas podem fazer. Correr maratona não é um direito. Se o amputado não pode correr uma maratona, isso não deriva do fato de que quem tem duas pernas pode correr uma maratona.

      Cordialmente

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