3 falácias comuns quando se discute com a esquerda

1 – Etereidade do Marxismo
Geralmente no entender de quem o defende, o marxismo não pode ser categorizado nem analisado, é mais que uma teoria. Não precisa ser defendido com argumentos inteligíveis e lógicos, em sequência. Nisso o Olavo de Carvalho (com quem somente concordo com a crítica ao comunismo) tinha razão, o comunismo não é uma tentativa honesta de ciência, é na verdade uma cultura.

Quando alguém critica o marxismo, seus defensores invariavelmente alegam que a análise não foi completa, sem oferecer explicação do que seria uma análise completa. Costumam também começar a discorrer vagamente sobre o tema utilizando termos obscuros, geralmente emprestados de ciências humanas, sem forma de comprovação. Criam uma nuvem de fumaça que quer impedir que as falhas inerentes do esqueleto teórico marxista fiquem aparentes.

2 – O Problema da Autoridade
Caminho muito utilizado por pessoas de passado ou presente (e futuro!) acadêmico. Como todo mercado regulado, muitos dos seus participantes se sentem confortáveis com as barreiras de entrada aos novos competidores. Ao invés de adotar uma postura de humildade e honestidade intelectual, se fixando nos argumentos e nas leis universais da lógica, ficam olhando para as medalhas e brasões do debatedor. Se não existem bastantes diplomas e assinaturas bonitas, alegam que o mensageiro deve ser abatido, que a mensagem não importa.

Dizer que é preciso ler Marx para discutir suas ideias é o mesmo que dizer que é preciso aprender aritmética estudando com os fenícios, ou que todos os professores de português tenham que ser lusitanos. Conhecimento só é conhecimento quando pode ser transmitido. Se não pode ser transmitido, não é conhecimento, é sensação. Se pode ser transmitido, seus fundamentos são totalmente apreensíveis pelo recipiente. Se eu explico para alguém que 1 + 1 = 2, o conhecimento está inteiramente em mim e no outro. O Outro pode até discordar, mas o conhecimento foi passado.

Não é preciso ler Marx inteiro, no original alemão em papel de pergaminho, para saber que a teoria do valor do trabalho não considera como bens econômicos diversas coisas facilmente observáveis (como madeira, pedras preciosas, …), para saber que a teoria de mais valia não considera a preferência temporal dos bens, que a teoria de exploração não considera a impossibilidade e a falta de incentivo empresarial de dar todos os recursos oriundos da produção para os trabalhadores somente pelo fato deles estarem sentados num galpão alugado movendo seus corpos.

3 – As Ciências Humanas
Marx é currículo básico das ciências humanas. O absurdo é que não é ensinado para podermos limpar a humanidade desse depósito de lixo tóxico intelectual. É ensinado como ciência. Apesar de todas as falhas simples e gritantes da teoria marxista, o manifesto comunista é emocional o bastante para arrebatar os corações e cegar as mentes dos estudantes. Isso é até fácil de entender. O que não dá pra entender são senhores de 50 anos ou mais batendo na tecla da cortina de fumaça comunista, espalhando slogans intuitivos new age como “além do capital”, ou “um outro mundo possível”.

As ciências humanas carregam uma característica em comum, que é a impossibilidade de conceber metodologias precisas (mesmo que imperfeitas) de previsão de fenômenos, ao contrário do que acontece nas ciências naturais. Mas é isso exatamente que tentam fazer os cientistas da área!

Outra contribuição do Marxismo ao mundo bizarro das ciências humanas é desenvolver um pouco mais o desconstrutivismo. Pode-se escrever teses enormes falando sobre nada. Não importa que ninguém vá entender, ou que não sirva para nada, alguém está pagando, o diploma na parede garante a autoridade e a festa do Zizek está sempre recomeçando.

Ciências humanas, fora a economia, não são muito úteis sem a constatação de que são muito imprecisas. As justificativas para a existência da maioria delas estão justamente na teoria de exploração de Marx (também na teoria do determinismo malvado de Rousseau, tipo um Marx da moral). É por isso que o marxismo é currículo obrigatório das humanas, elas geralmente têm como objetivo colocar em prática programas socialistas de transferência de recursos.

3 falácias comuns quando se discute com a esquerda

9 comentários sobre “3 falácias comuns quando se discute com a esquerda

  1. Ana p disse:

    estava a gostar muito do artigo, mas a frase “que a teoria de exploração não considera a impossibilidade e a falta de incentivo empresarial de dar todos os recursos oriundos da produção para os trabalhadores somente pelo fato deles estarem sentados num galpão alugado movendo seus corpos.” parece-me também uma falácia. Substituiu-se o verbo trabalhar pela expressão “somente pelo fato deles estarem sentados num galpão alugado movendo seus corpos”. Estavam a dançar, numa festa? Estavam a dormir e mexiam-se? Não, estavam a trabalhar. Este artigo, apesar de conter algumas premissas verdadeiras contém ele próprio falácias.

    1. Olá Ana p,

      Trabalhar não pode ser também descrito como usar e movimentar o corpo em algum lugar pré definido para atingir determinados objetivos concordados em contrato entre o usuário do corpo e o contratador?

      Eu usei o estilo sarcástico para deixar claro que é absurdo esperar que alguém tenha o trabalho de investir capital, tempo e esforço para montar um empreendimento, onde diversas pessoas contratadas estarão movimentando seus corpos de acordo com o contrato, sem esperar também que essa pessoa vá tirar o rendimento que almejar e que os consumidores permitirem.

      Fazer um plano de negócios, abrir uma empresa, gastar dinheiro, para que OUTRAS pessoas fiquem com o rendimento da empreitada? Absurdo.

      E se existem outras aparentes falácias, fica&ria feliz em saber quais.

      1. Daniel disse:

        Complementando o trabalho do empreendedor, quem arcará com os riscos do negócio? Caso a demanda caia drasticamente quem assumirá os prejuízos? Quem administrará os conflitos humanos (e naturais no convívio) entre os demais? Se isso não for trabalho e não ser remunerado por isso é, como bem disse: ABSURDO !!

  2. José disse:

    O autor me parece (neste e em outros posts) ser um partidário da única escola de economia que se orgulha de ter um método a-matemático, a-histórico e apriorístico: a escola austríaca. Não sei por que mas este “lixo intelectual” vem crescendo cada dia mais no âmbito da economia. Mas enfim, pouco importa.
    1) Fazer uma análise completa do marxismo é complicado meu caro. É uma teoria muito grande e bastante complexa. Complexa o suficiente para que muitas pessoas não o entendam e o abandonem para abraçar teorias simplistas e “sensocomunchistas” que só sabem ficar repetindo a mesma coisa: “LIBERDADE, LIBERDADE” de maneira totalmente gratuita, sem nem por um momento ponderar sobre como uma pessoa conquista sua liberdade (e a mantém) ou nem mesmo sobre o que é liberdade.
    2) Acho até engraçada esta parte. Meu caro, saber que uma mais um é igual a dois, é um saber de todo modo imediato caso excluamos seu debate filosófico (dado ser este um axioma). Muito diferente, o marxismo (como já dito) é uma teoria complexa que muitas pessoas só conhecem lendo ou escutando outras pessoas que TAMBÉM jamais leram a teoria. A língua portuguesa é uma coisa em constante construção e enriquecimento por outros povos, por isso o professor não necessariamente tem de ser luso. Mas se quiseres saber seu desenvolvimento histórico, deves sim começar lendo João Soares de Paiva (ou Pavia). A matemática é uma ciência exata e como tal é “invariável” qualquer que seja o país ou a época (a não ser por novas descobertas ou coisas como mudança de base por exemplo). Mas se queres conhecer o desenvolvimento histórico da ciência matemática, em especial no ocidente, recomendo ler os fenícios sim se puder (tem um professor, aguinaldo ricieri, que dá um curso de matemática neste estilo). Por essas e outras, ler Marx para conhecer o marxismo é essencial. primeiro se lê Marx, depois seus seguidores ou detratores e suas “Isagoges”.
    E recomendo ao senhor dar uma lida sim no “O Capital” (e em outras obras):
    2.1) Marx não enxerga madeira e pedras preciosas como mercadoria? Quem falou isso?
    2.2) Marx faz suas análises no equilíbrio de mercado e ele é bem explícito ao dizer isto (e mesmo assim é bastante ignorado). Marx considera sim a impossibilidade de se dar o produto social do trabalho entre todos na fábrica igualmente sem levá-la à falência. Por isso mesmo ele diz que o SISTEMA CAPITALISTA é explorador, e não que os empresários são avarentos.
    2.3) Não coloque uma coisa que é uma obrigação como se fosse uma escolha: quem ganha 700 reais por mês não faz poupança não porque é vagabundo gastador e medroso, mas porque não tem dinheiro para isso. Não existe preferência temporal, portanto.
    2.4) Os economistas liberais deveriam ponderar que viver é um risco: eu corro risco ao atravessar a rua e ao comer em um restaurante. Nunca me pagaram um centavo por isso. Ao mesmo tempo, um trabalhador ao aceitar emprego em uma empresa também corre risco: se lhe oferecerem emprego em um banco pequeno e recém-fundado e depois te oferecerem um emprego idêntico em tudo só que no Bradesco, qual se escolherá?
    2.5) De acordo com a teoria liberal-meritocrática, o mercado é um perfeito alocador de bem-estar que só penaliza os incompetentes (admitindo não haver catástrofes naturais, etc., só o jogo do mercado). Risco é quando lidamos com algo que não podemos controlar. Logo, não existe risco de mercado: sua empresa só vai falir se você for um imbecil incompetente, que fez um mau julgamento na hora de alocar capital. Não tem nada a ver com o mercado em geral, mas sim com você, afinal depende só de você fazer sua empresa dar certo.
    3) Quem te falou que não ensinam a criticar o Marxismo? Eu faço economia na USP e lá quando ensinam Marx (isso quando ensinam) é para logo depois já cair matando em cima dele, afirmando ser ele uma reles relíquia histórica e que suas teorias hoje em dia tem tanta validade quanto a teoria do flogisto na química. Tem até uma matéria lá especial pra ele chamada teoria do valor (raramente oferecida), mas na matéria de HPE nem se fala o nome dele. Quanto ao livro que você escolheu para denunciar o marxismo ele não é muito bom: o Manifesto é um panfleto, que não tem nenhuma pretensão científica, apenas propagandista.

    1. Oi José,

      Eu estava no sexto longo parágrafo da resposta e o notebook, em conluio com o firefox, resolveu que a junção de control e algumas letras queria dizer que fechassem a aba do navegador. Por mais que eu ache que o senhor mereça uma resposta (era uma resposta civilizada e interessada no debate), minha frustração é tão grande que vou ter que pedir perdão e deixá-lo com uma resposta pequena.

      a) A análise econômica de Marx é muito estreita, pois depende da LVT. Uma das poucas coisas que ele acertou foi sobre o grande roubo de terras e recursos que não foi sanado na passagem do feudalismo para o “capitalismo”, e a LVT serve apenas para analisar alguns efeitos nefastos da concentração de capital decorrente do grande roubo. De resto é mal interpretado e usado como ferramenta emocional na teoria da exploração.

      b) A escola austríca não é perfeita, mas o marginalismo de Menger, a praxeologia de Mises, a teoria da ordem espontânea de Hayek e a análise histórica de Rothbard são boas contribuições ao conhecimento, mesmo que não sejam 100% originais. Existem interpretações errôneas dentro da escola sobre diversos assuntos, como eu disse ninguém é perfeito.

      c) Acho que você caricaturizou o que os liberais pensam dos pobres. Ninguém sério é contra pobres.

      d) o libertarianismo hoje está se tornando cada vez mais anti-corporações, pois é evidente que as corporações não existiriam da forma atual se não fora o estado como instrumento de opressão. A luta de classes foi conceito liberal, antes de se tornar conceito socialista.

      e) Se estiver interessado no que ando prestando mais atenção hoje em dia, sugiro o filósofo left-libertarian Roderick Long. Venho prestando bastante atenção sobre algo que Marx pescou dos anarquista liberais anteriores à ele, o já referido grande roubo, e também sobre a abolição do estado, o problema da revolução (não sou necessariamente contra, nem necessariamente a favor) e da redistribuição (a favor da redistribuição mas ninguém concorda 100% sobre a forma).

      Saudações

  3. Dizer que existe “socialismo científico” ou que Marx se baseia em alguma coisa científica, é igual a querer elevar um terreiro de macumba, ou a cabana de um curandeiro à categoria de consultório médico especializado. Socialismo é lixo impraticável, e o Comunismo, a sua religião, é tão fanatizadora quando um Mulá talibã. É algo apenas digno de risos e muita pena.A critica que fizeram a Ludwig Von Mises e à Escola austríaca já por sí só demonstra a fragilidade dos argumentos dos esquerdopatas.Se leram por completo as 1020 páginas de Ação Humana ou Socialism, e tiverem cérebro para o compreender, ficarão menos burros. E eu NÃO estudo economia, justamente para não cair no erro de “marxizar” meus neurônios com tanta merda.

  4. Vítor Terra disse:

    “Dizer que é preciso ler Marx para discutir suas ideias é o mesmo que dizer que é preciso aprender aritmética estudando com os fenícios, ou que todos os professores de português tenham que ser lusitanos. Conhecimento só é conhecimento quando pode ser transmitido. Se não pode ser transmitido, não é conhecimento, é sensação. ”

    Ah? Eu devia ter parado de ler esse texto lá no “Olavo” (3ª linha)…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s